domingo, 7 de março de 2010

Barbie as Folk


“Nobody is so Barbie as folk”. Ao pé da letra significaria “Ninguém é tão Barbie quanto nós”. Vejam que até este título faz jus ao sentimento de superioridade das Barbies. São únicas, inimitáveis, inimagináveis, porém, interpretáveis. Não é muito difícil traçar um paralelo, ou até mesmo identificar o comportamento destas figuras, no seriado americano “Queer as Folk” (inspirado num homônimo Britânico um pouco mais antigo), exibido no início dos anos 2000, que causou verdadeiro estardalhaço na TV. Algo completamente inovador, sem medos, sem pudores, nossa... coragem pura! Assim como as Barbies são.

Lembro-me ficar até altas horas da madrugada esperando a HBO exibir. Alíás, permitam-me um comentário: Quanta hipocrisia exibir um seriado às 2h da manhã. Que censura é essa?? 80 anos?? Barbie tem que descansar à noite, e boas horas de sono contribuem tanto quanto aquele pote de Whey Protein, a massa 3200 anticatabolic o BCAA, entre outras “substâncias” que não irei mencionar pra não soar como apologia ao uso das mesmas.

Os episódios inicias já desenhavam o que vinha pela frente. É claro que com uma vasta experiência de anos e anos convivendo com as mais variadas Barbies do mundo, não pude deixar de observar e comprovar alguns fatos. Um dos personagens, o Michael Novotny (êta nome de ator pornô tcheco!), é uma espécie de narrador do mundinho particular no primeiro episódio. Fala que “Um homem Hétero pensa em sexo a cada cinco minutos. Um gay a cada 5 segundos”. Garanto para todos vocês: Uma Barbie pensa a cada 2,5 segundos. Creiam nisso!

Elementos nítidos são facilmente perceptíveis. O Michael fala da “disposição” dos freqüentadores da baladinha “Babylon” (te lembra alguma outra balada em São Paulo??) um dos ambientes principais da trama, em ficar até altas horas da madrugada fervendo na pista, mesmo tendo compromissos no trabalho no dia seguinte, tudo na busca incessante pelo sexo, pela exibição do corpo, do material; seja ele relacionado aos bens materiais, como a calça Diesel, a camisa A&F, A|X entre outros, ou o “material” físico mesmo, que encontra-se no meio das pernas, se é que me entendem (olha o foco Cadu !!!).

E no decorrer dos episódios, você acaba achando uma coisa ou outra que faz lembrar a Barbie ao lado, como a adoração de um moleque de 17 anos pelos musculosos, o que faz as figurinhas se acharem (e se incharem) ainda mais, o ciúme do namorado da Barbie, essa que é capaz de deixá-lo em casa doente só pra queimar na pista da balada e “fazer o social” com os amigos. Além é claro, das paternais, que querem aquele rebento com a amiguinha sapata, e ainda jogam a responsabilidade pra elas. Como já diria o Bryan Kinney, ao ter o filhinho Gus, deixa bem claro que não irá criá-lo. “The dykes will”.....

Então agora, traçarei o perfil dos personagens adaptados ao mundo Barbie:

Bryan Kinney: É aquela Barbie que fica terno e gravata de segunda à sexta e no sábado vai ferver na balada. Não se dá bem com os pais e saiu de casa cedo. Isso ajuda a tomar algumas “injeções de ânimo” sem interferência dos coroas. Acha o amor vulnerável; pode até namorar mas não se apega. No primeiro desentendimento, arruma outro rapidinho. Parece ser frio, mas tem um grande amor pelos seus amigos.

Justin Taylor: Esse é um sofredor. Aquele frangote novinho que inventou de se meter no mundo Barbie só pra se dar mal. Até consegue namorar uma, mas se anula, se sacrifica em prol de uma relação em sua maioria das vezes unilateral, é novinho, saiu de casa pra viver com a Barbie e só se deu mal. Meus pêsames se você é assim.

Michael Novotny: É a Barbie boa praça. É legal, engraçado, tolerante, compreensivo, sempre disposto a ajudar aquele amigo que entrou em depressão pós-ciclo. Na casa dos 30 mas ainda é um sonhador. Sente ciúmes dos amigos, ama um deles até, mas não tem coragem de bater no peito e gritar isso alto. No seriado original, namora uma Barbie (Ben Bruckner) que possui o vírus do HIV e ainda se enche de bombas à base de testosterona e é altamente agressivo. Chega a apanhar. Apaixonado pelo Bryan. Na minha opinião, deveria reinventar sua vida.

Emmett Honeycutt: É aquela Barbie que “já chega chegando”. Muito extravagante, fã de óculos D&G, seu cabelo parece um poço de gel inesgotável, tinge os mesmos e ainda se dedica a vários “trabalhos”. Leia-se: filmes pornôs, stripper, massagens em domicílio, etc etc.... Não vou perder muito meu tempo comentando sobre ele. Tchau. NEXT!

Ted Schimidt: A pobre Barbie que vive na fossa. Faz os ciclos certinhos, se alimenta bem, segue uma dieta rigorosa mas sempre está de mal com o espelho. Olha os atores pornôs americanos e sente uma inveja de doer. Em um episódio, ele leva um fora de uma Barbie na balada, mas anos depois, com um corpitcho melhorado, vai lá e dá o troco. Bem feito!

Ben Bruckner: Já falei um pouco sobre ele no tópico do Michael. É bonito, maduro, mas sua situação atual o coloca em uma posição meio delicada. Acaba metendo os pés pelas mãos por causa disso. É uma boa pessoa, mas precisa rever alguns conceitos.

Vic Grassi: A Barbie que esqueceu que a única situação onde não se deve usar a camisa é na pista, e se trata da vestimenta superior, não da inferior. No seriado acaba morrendo por complicações da AIDS. Fica o lembrete: Camisinha sempre pessoal!!!

James Montgomery: Alguém já viu um casal de Barbies adotar um jovem adolescente, ex-prostituto, que contraiu o vírus HIV durante esta fase, e depois se apaixona por uma garota na escola? Eu não conheço. Então não terá seu espaço aqui.

Ao escrever esse post, percebo que o mundo gay, seja ele das Barbies, das posers, das ploc-plocs, etc, tem seus bons e seus ruins, seus altos e baixos, como qualquer outro mundo. Essa é a idéia que o seriado quer passar. Vivemos num mundinho comum,e cabe a nós discernir o que é adequado ou não. Definitivamente, nem só de homens cheios de bala na cabeça fervendo na balada a vida é feita. Existe muito mais pra se ver por aí.

Atualmente eu tenho o privilégio de compartilhar experiências com um ser maravilhosamente especial. Não falo de relacionamento, nem pegação, nada disso. É algo muito além. Alguém que me faz crer nas belas coisas da vida, no seu sentido real, nas coisas simples. Um ser humano como poucos, que tem os seus “porquês” assim como todos nós temos, mas que me deixa profundamente feliz com a sua presença! (Sim, é o dono deste blog, heheheh)

E fica a dica para vocês caros leitores:

“ O príncipe encantado, não virá montado num cavalo branco, usando um shortinho com a sigla TW bordada atrás.”

Pensem nisso!


Carlos Eduardo Corlet

4 comentários:

Adalberto Monteiro Neto disse...

que bom que o príncipe encantado não vem assim, pq eu ia brochar na certa! rsrsrsrsrs
muito bom o texto. parabéns, cadu (é assim que te chamam?).
abs.

S.A.M disse...

Legal, já tinha ouvi falar do teu blog, mas hoje é que resolvi passar e ler de fato...

Adorei as comparações.
^^

Cadu disse...

Olá Adalberto. Obrigado por ter apreciado o texto. A realidade do "meio" é sempre fácil de ser caracterizada/ comparada com os seres que nos circundam, visto que a arte imita a vida ou vice-versa! Abraços.

jlpadial disse...

incrivel kara .... amei tudo isso me diverti a bessa aki ! perfeito vc ... deveria divulgar mais esse blog !